Foto: mypetla.com
Um gato que mais parece ter um corpo com formato de batata e patas em forma de palitos de dente.

Se você quiser um, esteja preparado para uma  longa, longa espera. Como eles são raros, o Chartreux só está disponível mediante reserva. Mas, como qualquer coisa de valor, a espera vale cada minuto.

E acredite, diferente de 99% dos gatos, ele atende pelo nome, como um cãozinho educado.


História

O Chartreux (pronuncia shar-troo)  pode ser uma das raças de existência mais antigas e, tardiamente, reconhecida pela CFA. Uma pesquisa recente mostrou que a origem desses gatos era na antiga Pérsia. Eles provavelmente chegaram aos mosteiros franceses com cavaleiros que regressavam das Cruzadas. Alguns gatos ficaram para trás e tornaram-se uma parte vital da vida monástica.


A lenda mais conhecida é que o Chartreux foi criado por monges Cartuxos no Mosteiro Grande Chartreuse, o principal mosteiro da Ordem dos Cartuxos, localizada ao norte de Grenoble, no sudeste da França. Os gatos foram criados seletivamente para ter voz baixa para não perturbar os monges durante suas meditações.

De acordo com o livro de Jean Simonnet, o chartreux teve a primeira menção escrita no dicionário universal de comércio,  publicado em 1723. Um manuscrito técnico para os comerciantes, que descreveu o Chartreux como um nome comum para um tipo de gato com os pelos azuis. O Dicionário Universal também observa que o Chartreux foi visto pela primeira vez com os monges deste nome.

É possível que a raça fosse nomeada com o mesmo nome de uma lã espanhola, bem conhecida no inicio de 1700, devido à lanosidade da pelagem deste gato.

Os 36 volumes da coleção de livros Histoire Naturelle (História Natural), escrita em, 1749 pelo naturalista francês Conde de Buffon, lista quatro raças de gatos que eram comuns na Europa nesse tempo: Gatos domésticos, Angorá, Espanhol e Chartreux.

O Chartreux, com as características atuais, começou em 1920, quando duas irmãs, Christine e Suzanne Leger, descobriram uma colônia de Chartreux na pequena ilha de Belleile, na costa da Bretanha, na França. Estes gatos azuis viveram em um hospital na cidade de Le Palais. O povo do Palais o chamava de  "gato do hospital", e as irmãs os adotaram. Os Legers foram os primeiros a trabalhar seriamente com a raça, e, em 1931, eles exibiram o Chartreux em Paris.

A devastação da Segunda Guerra Mundial dizimou a maior parte da  raça. Os poucos Chartreux restantes foram cruzados  com British Shorthair, Russian Blue e Persas.

Foto: cats-paradise.net/chartreux

Por um tempo na Europa, o Chartreux foi agrupado em uma única categoria de raça com British Shorthair e Russian Blue, e os cruzamentos eram permitidos. Isso não é mais o caso, e, a raça Chartreux, é considerada uma raça individual. Hoje, criadores trabalham para promover e proteger a Chartreux.

Helen Gamon de La Jolla, da Califórnia, EUA,  importou o primeiro Chartreux da França em 1970. Ela trouxe três gatos: Tornade, Taquin e Thilda, que se tornaram a base para o Chartreux norte-americano. Gamon e outros criadores dedicados foram fundamentais para estabelecer e avançar o Chartreux, nos Estados Unidos. O Chartreux, com o gene azul piscina, dos EUA é considerado um dos mais puros do mundo.

A raça foi aceita pela CFA para campeonatos campeonato em 1987 e hoje é aceita por todas as associações norte-americanas de gato.


Aparência

A característica marcante desta raça é a pelagem cinza com toque de  pelúcia, com pontas levemente escovadas na cor prata. A densa pelagem, que age como repelente de água, é de tamanho curta a média, com um subpelo resistente e um acabamento mais charmoso. O grau de lanosidade depende da idade, meio ambiente e do sexo; machos adultos costumam ter a pelagem mais densa. Pelagem mais fina é permitida em fêmeas e gatos com menos de dois anos de idade. Cinza em qualquer tom de ardósia é a única cor da pelagem aceitável. Clara e uniforme cor é mais importante do que a sombra, embora cinza brilhante com um brilho iridescente seja a preferido. Apenas cor sólida é permitida em gatos nas exposições, embora anéis de cauda possam ser evidentes até dois anos de idade.

O Chartreux é uma raça muscular, robusta, com um corpo médio a longo, ombros largos e um peito profundo. A musculatura é sólida e densa, e a ossatura é forte. Os machos são maiores e mais volumosos do que as fêmeas. Os machos adultos pesam de 4,5 a 6,5 quilos, fêmeas adultas pesam de 2,5 a 5 quilos.

As patas retas e robustas são relativamente curtas e de ossos finos. Os pés são redondos e de tamanho médio, e podem parecer quase delicadas em relação ao corpo sólido do gato. Devido a isso, o Chartreux é referido como uma batata em palitos.

A cabeça é larga e arredondada, mas não esférica definida em um pescoço relativamente curto. As mandíbulas são fortes e as bochechas cheias. A testa é alta e suavemente arredondada, o nariz é reto e de comprimento médio e largura, com um ligeiro desvio ao nível dos olhos. O focinho é relativamente pequeno, estreito e afilado, mas não pontudo, com pequenas almofadas e bigodes que contribuem para a expressão sorridente. As orelhas são de tamanho médio em altura e largura, eretas, e no alto de sua cabeça. Os grandes olhos arredondados estão atentos e expressivos, e variam em cor de cobre a ouro. Os olhos verdes são motivo de desqualificação.

Mais detalhes em: http://www.tica.org/members/publications/standards/cx.pdf


Saúde e Predisposição a Doenças

O Chartreux é uma raça rústica, saudável, com poucas preocupações.

No entanto, algumas linhagens são propensas a luxação patelar hereditária (luxação da rótula), causada por um gene recessivo. A rótula ocasionalmente aparece fora do seu local anatômico, quando a articulação é movida causando dor e claudicação. Se for grave, esta condição pode causar dor crônica. O deslocamento pode ocorrer repetidamente se o espaço anatômico, onde rótula repousa, é muito raso ou é mal formado. Raramente, a rótula vai deslocar permanentemente. Às vezes, essa condição pode levar à osteoartrite.

O Chartreux é propenso a ganhar peso à medida que envelhece, o que pode contribuir para problemas de saúde. É melhor não oferecer a vontade alimentos ao seu gato quando jovem, para não ter uma  luta restringindo comida ao seu amigo quando ele ficar mais velho.

Jogos e brincadeiras  regulares também vão ajudar a manter seu Chartreux magro e com boa saúde.


Cuidados

• Durante o outono e primavera, onde ocorre troca de pelos, pentear com um pente de aço, de duas a três vezes por semana.
• Oferecer uma dieta equilibrada, preferencialmente uma ração de qualidade super premium, e água mineral ou filtrada.
• Cortar as unhas semanalmente.
• Escovar diariamente os dentes com escova e pasta indicada pelo veterinário.
• Arranhadores são interessantes.
• Visitas frequentes ao veterinário para orientações quanto aos cuidados e vermifugação, além de todo esquema de vacinação.
• Muito amor, carinho e atenção.
Foto: cats-paradise.net/chartreux


Comportamento/Temperamento

Muitas vezes é chamado de "gato sorridente da França", por causa de seu doce sorriso. São amorosos e companheiros gentis, que cumprimentam suas pessoas favoritas com sorrisos e ronronar. Eles costumam manter os seus comentários para si mesmos, mas quando eles têm algo muito importante a dizer, eles miam como se estivessem cantando. Eles vão ronronar com grande entusiasmo, especialmente quando você está servindo o seu alimento preferido.

O Chartreux rapidamente tornar-se ligado a família. Conhecido por seu comportamento semelhante ao de um cãozinho, estes gatos podem ser ensinados a buscar uma bola, e a maioria irá responder a seus nomes.

O Chartreux é uma raça tranquila, cantando em um volume baixo, ao invés de miar com coisas que ele acha interessante. Este gato inteligente é fascinado pela televisão e fica sentado em uma janela ensolarada observando aves e outros animais ao ar livre. Chartreux adoram brincar e interagir com seus companheiros humanos.

A maturidade física é atingida geralmente aos três anos e se tornarem adultos com mente de um jovem adolescente desajeitado.

Muitos gostam de brincar com outros gatos e até mesmo com um cão agradável, se as apresentações necessárias são feitas corretamente. Mas, mais do que tudo, eles adoram passar o tempo com seus admiradores humanos.

Um caçador nato, o Chartreux pode ter sido usado antigamente principalmente para caçar ratos.


Notas

Nota1: Apesar de todas as qualidades de um gato de raça, um "vira latinha" apresenta milhões de qualidades, que o farão tão ou mais especial que qualquer gato de raça pura.
Nota2: Pense sempre em adotar um gatinho. Não existe um ato de amor tão especial, quanto à adoção. Seja adulto ou filhote, não compre, adote.


MV Marcelo Samegima Aleixo
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Dicas para o relacionamento com gatos idosos


É, os anos se passam e, quando menos se espera, o bichano começa a apresentar comportamentos diferentes, que fazem os donos perceber que a terceira idade chegou!

foto: giane portal / fofurasfelinas

Felinos domésticos, que recebem todos os cuidados essenciais (saúde, comida de qualidade e atividades) durante a vida, tendem a viver bastante, uma média de 15 a 18 anos. Mas, o envelhecimento chega com algumas alterações comportamentais e fisiológicas, que geram a necessidade de algumas mudanças no cotidiano, para garantir uma boa qualidade de vida ao amigo.

Como os gatos são animais que “sofrem em silêncio”, é importante fazer consultas frequentes junto ao médico veterinário de confiança, para que sejam prevenidas e/ou tratadas doenças comuns na terceira idade felina, como, por exemplo, a doença renal crônica.

Na parte comportamental, a partir dos 12 anos, podem já começar a ser notadas alterações no modo de agir do gatinho. Muitas vezes, os gatos idosos se tornam ainda mais seletivos com a alimentação. Uma dica interessante é aquecer um pouco de ração úmida para gatos, para torná-la mais atrativa através do aroma.

foto: giane portal / fofurasfelinas

Também nesta fase, o gato pode se tornar menos ativo, com menos habilidade para as escaladas e excursões a lugares altos. Assim, é importante verificar os locais onde ele prefere ficar e, se forem mais altos, providenciar que o acesso seja fácil, com rampas ou prateleiras.

A higiene também pode ficar comprometida e, por isso, escovações mais frequentes ajudarão a fazê-lo se sentir limpo e mais confortável. Vale também verificar se as caixas de areia estão posicionadas em locais de fácil acesso.

Como todo dono de gato sabe, eles são muito sensíveis a mudanças no ambiente e rotina. E esta característica pode se tornar ainda mais evidente durante a velhice. Assim, deve-se procurar evitar alterações bruscas na rotina e no ambiente, mesmo que isso signifique uma simples mudança de um móvel do lugar. Se for absolutamente necessária, o ideal é fazer a alteração mantendo o gato em um ambiente separado, onde ele esteja familiarizado com os recursos que necessita - caixa de areia, água e comida à disposição, e somente depois reintroduzi-lo ao local.

Felinos também podem apresentar sintomas da chamada Síndrome da Disfunção Cognitiva que, no entanto, é mais comum em cães.  Trata-se do “Mal de Alzheimer” dos animais e se caracteriza por alterações na capacidade cognitiva, que vai se deteriorando. Esquecem o que aprenderam durante a vida, passam a interagir menos com os donos, podem trocar períodos de vigília e vocalizar mais do que o habitual. É importante que a síndrome seja diagnosticada por um médico veterinário, que poderá indicar a melhor conduta para garantir qualidade de vida ao bichano.

foto: giane portal / fofurasfelinas

Finalmente, mas não menos importante, apesar de muitos acharem que um novo filhote (de cão ou gato) na casa pode animar o felino velhinho, esta não é, em geral, uma boa opção. Nesta fase da vida, se adaptar a um filhote pode ser algo muito estressante para o gato, prejudicando o seu bem-estar geral.
E, acima de tudo, nunca se deve esquecer que aquele filhote fofo e ativo de outrora merece atenção, carinho e mais cuidados ainda nesta fase da vida. Esta é uma forma de retribuirmos todas as alegrias e bons momentos passados ao longo de vários anos ao lado do pet querido!

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Cassia Rabelo Cardoso dos Santos
Colabora com textos para diversas publicações como o Guia Universo Pet, a Revista Pulo do Gato e a Revista Expressão. É adestradora da Cão Cidadão, franquia criada pelo especialista em comportamento animal Alexandre Rossi, que há mais de 10 anos atua no mercado oferecendo serviços de adestramento e consultas de comportamento em domicílio para gatos, cães e outros pets.
www.caocidadao.com.br





foto: giane portal / fofurasfelinas
Nas clínicas veterinárias de todo o Brasil nós nos deparamos com uma situação muito comum, o abandono de animais. Este abandono se dá por vários motivos, tais como: mudança de casa, problemas comportamentais, doenças de fundo alérgico e principalmente, a gestação de alguém na família. Infelizmente o abandono (que inclui doação do animal) pelo motivo da gestação acaba sendo diversas vezes indicado pelos próprios médicos. Tanto ao médico quanto ao veterinário cabe apenas o esclarecimento quanto às doenças transmissíveis, aos riscos da gestante e aos problemas comportamentais possíveis oriundos da chegada de outro membro da família.

Então vamos começar com o maior medo das gestantes donas dos gatos: Meu gato vai me transmitir toxoplasmose ou não?

Primeiro é necessário conhecer a Toxoplasmose:

A toxoplasmose é uma doença parasitária com alta prevalência que acomete animais de sangue quente e é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. Os felinos são hospedeiros definitivos, isto é, neles o parasita completa o seu ciclo e é liberado no ambiente por meio de oocistos resistentes nas fezes. Esses oocistos precisam estar em contato com o oxigênio para poderem se tornar infectantes, o que só acontece de um a cinco dias em que eles estão no ambiente. Durante a fase aguda da doença, formas deste parasita chamadas de taquizoítas estão em replicação no sangue e linfa, causando os sintoma. Quando a imunidade do hospedeiro atenua a replicação taquizoíta, esses parasitas podem então tomar a forma bradizoíta,  que possui replicação lenta, e se instalam em tecidos extra-intestinais (sistema nervoso central, músculos e órgãos viscerais), podendo persistir por toda a vida do hospedeiro.

foto: giane portal / fofurasfelinas

Modo de transmissão:

A infecção pode ser dar a partir da ingestão de qualquer uma das formas do parasita e por via transplacentária. Como os gatos habitualmente não têm o comportamento coprofágico (alimentar-se de fezes) estes geralmente se infectam com a ingestão de uma presa infectada (ou a carne crua ou mal passada infectada).

 Acredita-se que 30 a 40 % de gatos e pessoas nos Estados Unidos estão possuem anticorpos contra a toxoplasmose, isto é, em algum momento em suas vidas eles entraram em contato com a doença e possivelmente estão infectados.  Já no Brasil essa prevalência pode passar de 70%.

Aspectos de zoonose:

A toxoplasmose é uma zoonose importante tanto pela alta prevalência quanto pelas conseqüências. Os acometimentos mais sérios ocorrem em pessoas com baixa imunidade, por exemplo: as portadoras de HIV, as que passam por quimioterapia, as transplantadas, as crianças e os idosos. Quando ocorre a infecção em mulheres gestantes, o feto pode apresentar a doença com manifestações neurológicas, oculares, e até virem a nascer mortos. As pessoas imunocompetentes não gestantes geralmente são assintomáticas. Aproximadamente 10-20% acometidas das pessoas podem apresentar linfadenopatia (inflamação dos linfonodos), febre, dor de garganta, dores musculares, mal estar. Os sintomas geralmente se resolvem sem tratamento. Aqueles mais severos como inflamações nos músculos, pneumonia, sinais neurológicos são possíveis, porém raros. A toxoplasmose ocular com uveíte, geralmente unilateral, pode ser vista em adolescentes. Essa síndrome está freqüentemente associada a uma infecção assintomática congênita (durante a gestação) ou como resultado de uma infecção ocorrida logo após o nascimento.

foto: giane portal / fofurasfelinas
As pessoas adquirem a toxoplasmose pela ingestão de oocistos infectantes (aqueles que já estão no ambiente mais de 24 horas), por via transplacentária (quando a mãe tem uma infecção aguda durante a gestação) e ingerindo cistos em tecidos.

Para prevenir essa infecção a pessoa deve:

- Evitar o consumo de carne mal passada ou crua, esta deve se cozida a uma temperatura de 63 a 71°C. Os utensílios da cozinha devem ser lavados com água quente e sabão após o trato de carnes cruas.

- Lavar bem as verduras e frutas antes de comer. Os gatos têm o hábito de enterrar suas fezes e o cisto pode viver muito tempo no ambiente. Se há gatos vivendo na área da horta, essa contaminação pode acontecer.

- As fezes dos gatos devem ser manuseadas com muito cuidado, lembrando de utilizar o material necessário para se evitar a contaminação como pá e luvas. As mãos devem ser lavadas sempre que a caixa de areia for limpa ou que se fizer qualquer serviço de jardinagem. Como os oocistos levam ao menos 24 horas para se tornarem infectantes, as caixas de areia devem ser limpas diariamente.

 - Uma das formas de prevenção mais importantes é a alimentação de gatos apenas com comidas comerciais e para aos adeptos à alimentação natural, com carnes preparadas na temperatura de 63 a 71°C.

Seguem algumas verdades do papel do gato na toxoplasmose:


foto: giane portal / fofurasfelinas
Os gatos de apartamento e aqueles que não saem de casa não são as maiores preocupações dos controles de zoonoses. Aqueles gatos que caçam na rua e gatos de fazenda são os responsáveis pela contaminação e manutenção dos parasitas no ambiente, com conseqüente infecção de pequenos roedores (gatos de ruas) e de carne de consumo humano (nas fazendas).

Gatos geralmente eliminam o oocisto por dias a algumas semanas após a infecção primária, e não por toda a vida. O fato de ser hospedeiro definitivo não implica na contaminação constante do ambiente, mas sim que ele é o único a fazer essa contaminação quando estiver na fase aguda da doença, quando se reinfestar ou quando, devido à baixa de imunidade, ocorrer a ativação das formas “dormentes”.

Gatos são muito asseados e geralmente não permitem que fiquem fezes no seu pelo (um estudo demonstrou que nenhum oocisto foi isolado do pelo de gatos que há sete dias eliminavam milhões de oocistos pelas fezes).

Portanto, amigos gateiros, para não contrair a doença a pessoa deve entender sobre ela e perceber que os riscos vão muito além do simples convívio com o hospedeiro definitivo.

Alice Ribeiro
diarioveterinaria.blogspot.com
www.formspring.me/alicevet
twitter: @alicevet


Literatura Consultada:
Toxoplasmosis – information sheet of The Center of Food Security and Public Health – Iowa State University
Lappin, M.. Feline Toxoplasmosis  - Latin America Veterinary Conference, 2012



foto: giane portal / fofurasfelinas
Os gatos domésticos são animais que, por natureza, tendem a se sentir inseguros e vulneráveis diante de situações ou quando em ambientes desconhecidos para eles. Este comportamento é natural e deve ser observado e respeitado por nós, seres humanos, no sentido de permitirmos aos bichanos que se adaptem, no tempo deles, a novas experiências.


Mas há situações em que o gato apresenta verdadeira fobia de determinado objeto, pessoa ou local (como a clínica veterinária, por exemplo). Nestes casos, ficará extremamente agitado, buscando desesperadamente um local onde possa se esconder e meios de fugir daquilo que o assusta.


Este medo em excesso costuma ser prontamente identificado pela família: um exemplo clássico diz respeito à utilização do aspirador de pó. Basta tirar o objeto do armário e o bichano simplesmente desaparece! Ou, ainda, se ouvir o som alto e estridente deste eletrodoméstico, pode até machucar uma pessoa que tente pegá-lo no colo, tamanha a necessidade de fuga e busca por um esconderijo seguro.


Mas, apesar de muitos acharem impossível melhorar este tipo de situação para o gatinho, é possível, sim, fazer algo por ele.


foto: giane portal / fofurasfelinas

A técnica utilizada para tanto chama-se dessensibilização e consiste, justamente, em suprimir ou diminuir a extrema sensibilidade que o pet demonstre em relação ao estímulo que causa o medo ou fobia.


Tomando por exemplo a tão comum fobia do veterinário, a melhor forma de aliviar os sintomas é investir algum tempo para que o gato faça associações positivas com a situação vivida. Para tanto, antes de mais nada, deve ser acostumado, de forma prazerosa, a ser transportado na caixa de transporte. Vale alimentá-lo lá dentro, colocar petiscos para ele caçar ali e transformar o local em sua “toca”.


Depois disso, é importante transportá-lo na caixa até o carro, mas sem sair ainda. Somente quando se perceber que o felino está habituado, deve-se levá-lo para uma voltinha. Mas sem que o destino, ainda, seja o veterinário!


Se o gato já estiver com apetite nesta situação, pode-se dar um petisco bem gostoso, como ração úmida, quando ele estiver dentro do carro. Lembrando que o gato esbelto é sempre mais saudável e este tipo de treinamento será muito mais fácil, pois ele terá apetite para comer coisas gostosas. Assim, não se deve deixar alimentação à disposição, o tempo todo, pois a tendência é que o gato se torne obeso, indisposto e apresente problemas de saúde. O ideal é que seja alimentado umas quatro vezes por dia, com bastante enriquecimento ambiental. Mas esse é um tema para outro post...

foto: giane portal / fofurasfelinas

Voltando à dessensibilização, o ideal, nesta fase, é levar o bichano até a clínica, mas sem que  seja submetido a exames ou tome injeções, mas apenas receba petiscos e brinque, caso esteja à vontade! Assim, passará a associar aquele local com consequências agradáveis e prazerosas.


Quando for notado que a situação não é mais tão estressante, aí sim pode-se marcar a consulta. A parceria com o médico veterinário é importante nesta hora, pois ele também poderá colaborar, e muito, para que o manejo seja adequado, gentil e o mais rápido possível.


A técnica acima, que visa associar consequências boas a determinadas situações, objetos, locais ou pessoas que causem medo extremo no gato, pode ser utilizada sempre. Mas a evolução deste treinamento vai depender muito do temperamento do gato e do quanto ele se apavora diante de determinado contexto. Pode levar meses, por exemplo, para um gatinho não se intimidar mais com o barulho do secador de cabelos ou do aspirador de pó...


O importante é sempre ter muita paciência e não desistir. Afinal, tudo isso visa garantir o bem estar do amigo bichano!

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Cassia Rabelo Cardoso dos Santos
Colabora com textos para diversas publicações como o Guia Universo Pet, a Revista Pulo do Gato e a Revista Expressão. É adestradora da Cão Cidadão, franquia criada pelo especialista em comportamento animal Alexandre Rossi, que há mais de 10 anos atua no mercado oferecendo serviços de adestramento e consultas de comportamento em domicílio para gatos, cães e outros pets.
www.caocidadao.com.br




Um Gato de Rua Chamado Bob - A Street Cat Named Bob

James Bowen


When James Bowen found an injured, ginger street cat curled up in the hallway of his sheltered accommodation, he had no idea just how much his life was about to change. James was living hand to mouth on the streets of London and the last thing he needed was a pet.Yet James couldn't resist helping the strikingly intelligent tom cat, whom he quickly christened Bob. He slowly nursed Bob back to health and then sent the cat on his way, imagining he would never see him again. But Bob had other ideas.Soon the two were inseparable and their diverse, comic and occasionally dangerous adventures would transform both their lives, slowly healing the scars of each other's troubled pasts.A Street Cat Named Bob is a moving and uplifting story that will touch the heart of anyone who reads it.

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Começo esta resenha falando da capa! Tem capa de livro mais fofa?? Sou só eu que tenho vontade de apertar as "bochechas" deste gato?? rs


O autor do livro, e dono do gato fofo, é um ex-morador de rua de Londres, o qual no começo de sua recuperação do vício das drogas encontra um gato laranja deitado na sua porta. A partir daí se inicia uma linda história de amor entre um homem e seu gato, onde ambos se ajudam a curar as feridas do passado e voltarem a ser felizes.


A história de James e Bob - o gato laranja - é emocinante. Com uma narrativa bem fácil e fluída, o autor nos conta sus história com Bob desde o momento em que o encontra, onde já podemos notar o quão peculiar é.


São tantas coisas para comentar sobre este livro! Tão linda a atitude de James que, mesmo passando por muuuitas dificuldades financeiras cuida de Bob como um filho, com direito à visitas no veterinário, castração e até microchipagem, o que só mostra que quando uma pessoa de fato ama seu animal se dedica à ele e abre mão até de coisas para si em função de cuidar do bem-estar de seu bichinho.


Por outro lado, Bob se mostra um gato excepcional, seguindo James todos os dias até o local onde ele tocava, ficando ao seu lado sempre, se tornando um companheiro extraordinário.


Bob é uma figura! Adora rua, passeia no ônibus todo feliz e não tem medo de pessoas nem de barulho.


A companhia frequente de Bob acaba por mudar a vida de James, que em função de Bob passa a chamar muito mais atenção e, assim, ganhar mais dinheiro, melhorando um pouco sua vida e a de Bob.


O livro é lindo! A trajetória de James com Bob não é um mar de rosas, diversas dificuldades são encaradas pelos dois, mas James se sente sempre seguro, desde que tenha a companhia de Bob.


A cumplicidade entre os dois, a inteligência de Bob e o amor de um pelo outro são palpáveis, temos diversos momentos tocantes durante a leitura, mas para mim o mais especial foi a padsagrem da desintoxicação de James, que teve a fiel companhia de Bob durante uma severa crise de abstinência. Coisa linda de ver o amor e preocupação do gato pelo seu dono e o quanto esse amor e a responsabilidade de tomar conta de um bichinho ajudou James a recuperar, como ele mesmo diz, sua humanidade.


Eu li o livro em Inglês (aliás é de nível fácil para quem quiser tentar), mas a boa notícia é que a Ed. Novo Conceito deve trazê-lo para o Brasil ainda este ano! \o/


Existem mais dois livros sobre Bob: "Bob no ordinary cat" que é uma adaptação deste livro para crianças e com fotos e "The World according to Bob" que é a sequencia deste livro (preciso falar que eu quero??? rs).


Para quem quer saber um poquinho mais sobre Bob, aí tem um vídeo (e no youtube tem muuuuitos outros) e o twitter: @streetcatbob



Acho que tudo que eu disser sobre este livro ainda é pouco perto de  quão maravilhoso ele é! Uma leitura delciiosa, emcionante, divertida e surpreendente! Imperdível!

Laura
www.gatosnabiblioteca.blogspot.com
@GatosBiblioteca





Encontramos no mercado vários produtos para gatos, de todos os tipos de materiais: de sisal, de pelúcia, vários arranhadores: com bases, postes, tapetes e vários outros. Mas nem sempre encontramos produtos bonitos, de boa qualidade e desenvolvidos especialmente para nossos bichanos.

Nas minhas pesquisas pela internet, encontrei uma empresa muito bacana, com produtos dedicados apenas para gatos.

A RONRON tem, entre seus produtos uma coleção de tocas que também são espreguiçadeiras e arranhadores com um design super diferente.


Modelo MARIACHI

Este é o CAPELINHA.
Arranhador e casinha com interior forrado com Carpete Tem as seguintes medidas externas; 46 cm de altura, 40 cm de profundidade e 48cm de largura

AMARALINA
Casinha com duas entradas, uma frontal e outra traseira.

Alguns dos modelos dessa coleção foram inspirados em rádios antigos. Como o modelo Rabo Quente, que tem esse nome super divertido como referência a um termo brasileiro usado em meados dos anos 50.

Nesses rádios, a fiação tinham além da função de levar energia uma função resistiva o que fazia com que o fio ficasse aquecido. Daí veio o nome Rabo Quente.

RABO QUENTE

Uma preocupação muito legal desses produtos é a higiene, pois os arranhadores permitem que o tecido seja trocado quando estiver muito desgastado, evitando assim a proliferação de bactérias que podem afetar a saúde do seu gato.

E o fundo dos arranhadores são tipo gaveta, o que facilita muito a limpeza.


Além das tocas e arranhadores a a RONRON também desenvolveu potes para ração e água.
Os potes são produzidos em louças cozidas em alta temperatura. E no tratamento de cor, segundo a site, não há adição de chumbo, comum em algumas louças que vão para cozimento em menor temperaturas.

Lá na loja virtual www.ronron.com.br você encontra vários modelos de produtos. Vale a pena conferir!

Fernanda Frias
twitter: @a_fepa




Cuidados com um Gato Cego


Eis um tema que pode ser de grande ajuda para muitas pessoas que têm como companhia um gatinho deficiente visual (com cegueira parcial ou total). Trata-se de uma condição bastante específica, pois deve ser analisada levando em conta a deficiência e as características comportamentais dos felinos de estimação.

Gata cega 'Tininha' | Foto: Arquivo pessoal de Fernanda S. Bortolon

Um gato pode ficar cego por acidente, velhice, alguma doença ou, ainda, ter nascido com esta condição. No que diz respeito à adaptação, se o bichano for cego desde o nascimento ou se a cegueira (total ou parcial) tiver evoluído ao longo do tempo, a tendência é que o próprio gato se adapte muito bem a esta condição, sem muita interferência do dono (que, por vezes, nem percebe que o pet está com dificuldades visuais).

De qualquer forma, cabe aos humanos, no momento em que tomam ciência da condição apresentada pelo seu gato, tomar algumas providências que o auxiliarão peludo, garantindo seu bem estar.

É muito importante manter o ambiente todo bastante familiar para o gato. Por natureza, eles são animais que somente se sentem seguros quando “dominam” o local onde moram. Isto significa que gostam de estar familiarizados e adaptados com objetos, pessoas, cheiros. Assim, pensando no gato com deficiência visual, é muito importante evitar mudar móveis da casa de lugar (se for necessário, ajudar o gato a perceber esta mudança, levando-o até o local/móvel para que possa identificá-lo).

Gata cega 'Tininha' | Foto: Arquivo pessoal de Fernanda S. Bortolon

Com relação aos objetos, considerando que o olfato dos felinos é bastante desenvolvido, certamente este sentido se tornará ainda mais aguçado com a deficiência visual, por uma questão de adaptação. Assim, caso sejam introduzidos novos objetos na casa, ou se qualquer deles for lavado (por exemplo: almofadas, colchas, etc.), deve-se, de alguma forma, tornar estes objetos novamente familiares para o gato. Uma boa alternativa é esfregar as mãos: o felino logo identificará o cheiro familiar do dono nestes locais, o que o deixará mais tranquilo.

 A caminha do felino deve sempre ser mantida no mesmo local, de fácil e conhecido acesso, assim como potes de água e comida e caixas de areia. Lembrando, mais uma vez, que se for necessário mudar estes itens de lugar ou quando forem lavados, deve-se dar ao gato a oportunidade de identificar os objetos pelo cheiro e guiá-lo algumas vezes até lá. Depois, observar se ele consegue se deslocar sozinho até estes locais.

Os bigodes do gato jamais devem ser cortados ou aparados, pois funcionam como órgãos táteis, que permitem a eles identificar objetos antes de se chocarem. É por isso que gatos conseguem se locomover com a mesma agilidade no escuro: caso haja algum obstáculo, os bigodes funcionam como antenas e “tocam” o objeto antes, evitando, assim, choques. Para gatos deficientes visuais, os bigodes funcionam como uma importante forma de adaptação durante o dia e a noite, e não somente no escuro, como nos gatos com visão normal.

Gata cega 'Tininha' | Foto: Arquivo pessoal de Fernanda S. Bortolon

Finalmente, não se deve esquecer que mesmo o gato com deficiência visual mantém seu instinto de explorar e escalar bastante aguçado. Assim, considerando que ele pode se sentir inseguro para saltar de maiores alturas por não enxergar, é importante providenciar rampas para ele tenha sempre a alternativa de subir em vários locais, inclusive quando quiser se proteger. Estas rampas devem ser feitas com material não escorregadio, para garantir a segurança do bichano.

Com estas providências simples, é possível garantir ao gato com algum grau de deficiência visual uma vida ativa e tranquila, perfeitamente adaptada a sua condição!

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Cassia Rabelo Cardoso dos Santos
Colabora com textos para diversas publicações como o Guia Universo Pet, a Revista Pulo do Gato e a Revista Expressão. É adestradora da Cão Cidadão, franquia criada pelo especialista em comportamento animal Alexandre Rossi, que há mais de 10 anos atua no mercado oferecendo serviços de adestramento e consultas de comportamento em domicílio para gatos, cães e outros pets.
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As peripécias de um felino rebelde e intratável, mas de incrível personalidade, encontrado pelo autor num beco escuro de Nova York no Natal de 1977.


Este livro é bem antigo (1988) e já foi publicado no Brasil, mas hoje em dia você só conseguirá encontrá-los em sebos ou na Estante Virtual.


Aqui conhecemos o jornalista Cleveland Amory, que sempre foi protetor dos animais, senod inlcusive presidente do Fundo para Animais, com sede em Nova York.


Em 24 de dezembro de 1977, ao sair tarde da sede do Fundo, Cleveland se depara com um resgate tardio de um gato em um beco de Nova York.


Assim que consegue resgatá-lo, Cleveland se apaixona pelo pequeno gato branco e não consegue doá-lo. Apesar de ser um amante dos animais, Cleveland não tinha nenhum, pois viajava muito por causa do Fundo de Proteção. Mesmo assim, Cleveland não consegue ficar longe do gatinho, a quem deu o nome de Polar Bear (Urso Polar).


A partir daí, Cleveland nos brinda com todas as histórias de seu primeiro ano com Polar Bear, todas as maluquices e manias desse gato fofo e todas as surpresas que o autor teve com o adorável bichano.


O primeiro ano de Polar Bear com Cleveland trouxe muitas mudanças na vida dele, a felicidade que o gatinho trouxe para Cleveland refletiu positivamente em todos os apectos da sua vida!


Apesar de um pouco longo demais, o livro é fofo e muito divertido! Leitura obrigatória para os gateiros de plantão! Um alida história de amor e amizade entre um homeme seu gato!


Para quem gostar, o autor (falecido em 1998 e enterrado ao lado do seu amado gato Polar Bear) tem vários outros livros com temas felinos:


The Cat Who Came for Christmas
The Cat and the Curmudgeon
The Best Cat Ever
The Proper Bostonians
Who killed society?
Cleveland Amory's Compleat Cat
The last resorts
Animail
Newport: There she sits
Cat Tales: Classic Stories from Favorite Writers
Man Kind? Our Incredible War on Wildlife
1902 Sears, Roebuck & Co. Catalog
The Trouble with Nowadays : A Curmudgeon Strikes Back
Ranch of Dreams: A Lifelong Protector of Animals Shares the Story of His Extraordinary Sanctuary

Laura
www.gatosnabiblioteca.blogspot.com
@GatosBiblioteca



Boa tarde povo!

Tá rolando um "Valentine's Day" muito bacana na fanpage do Tudo Gato hoje! Confiram!

O chuvoso Valentine's Day de Grumpy Cat
http://www.facebook.com/tudogato

Abraços,
Laurence Esgalha



 
Poster do filme
Se você soubesse quem você é... até onde vai a sua fé...

O Big Brother Brasil está de volta às telinhas e você, gostando ou não do programa, acaba vez ou outra escutando essa musiquinha numa vinheta ou alguma aparição relâmpago falando sobre os habitantes da casa mais vigiada do país.

Mas eu não vou falar sobre o reality global, obviamente. A questão é que numa dessas vezes em que a canção tocou essa frase, me chamou a atenção e me remeteu a um livro que li pouco tempo atrás, e que agora está em absoluta evidência, com sua belíssima adaptação para o cinema.

A Vida de Pi não podia estar mais em alta. Sucesso de público e crítica, a obra do ganhador do Oscar®, Ang Lee (O Segredo de Brokeback Mountain) que conta a história do menino indiano sobrevivente de um naufrágio já rendeu onze indicações ao principal e mais cobiçado prêmio da indústria cinematográfica. A película, do ponto de vista técnico, é um verdadeiro triunfo visual. A tecnologia tridimensional muito bem aplicada faz com que as imagens saltem aos olhos de forma magnífica. Com sequências de fazer perder o fôlego, uma fotografia linda e coesa acompanhados por uma trilha sonora de singular beleza, sugerindo meditação e reflexão. A atuação de Suraj Sharma no papel do protagonista também merece destaque, relembrando outros ótimos momentos do cinema como O Náufrago ou Eu Sou a Lenda onde os atores têm que se desdobrar para, sozinhos, passarem emoção e convencerem o público.

Pi Patel é um garoto bastante peculiar. Seu pai, dono de um zoológico em Pondicherry, na Índia, representa o homem cético, absorto em seu trabalho e crente apenas na ciência. Já a mãe de Pi é uma mulher de fé e temente aos preceitos do hinduísmo e suas 330 milhões de divindades. Crescendo nesse ambiente, o garoto aprendeu tudo o que podia sobre os estudos, as religiões (ele mesmo tinha três, absolutamente diferentes) e claro, os animais.

Cena do filme - Imagem: Divulgação
É quando seu pai decide se mudar com a família para o Canadá, levando seus animais num navio que Pi fica desolado. No meio do Oceano Pacífico, durante uma tempestade, o jovem indiano perde seus entes queridos e embarca numa jornada individual dentro de uma pequena embarcação salva-vidas e terá uma companhia totalmente inesperada: um tigre de bengala. Pi terá que colocar à prova suas crenças enquanto busca um meio de sobreviver à fome, à sede, ao mar e ao tigre.

Apesar do mote de aventura, A Vida de Pi não é uma mera história de sobrevivência de um náufrago em condições desafiantes e impossíveis. Embora tudo isso esteja presente, o enredo serve como um simples apetrecho para um quadro de representações alegóricas de vários atributos da vida: o instinto de sobrevivência, a fé e também o afeto.


Capa do livro
Com todos esses elementos interligados, o filme não faz juízos de valor sobre cada um deles, remetendo tal escolha para o espectador. E essa decisão é feita conforme a sua própria disposição na vida, na fé e nos relacionamentos. O próprio Pi revela-se uma personagem confusa, inicialmente na religião - seguindo três teologias - e mais tarde na jornada que realiza através de vislumbres e ocasiões improváveis.

Os momentos em que o menino precisa aprender a dosar confiança e medo com relação ao tigre, ao mesmo tempo em que precisar manter ambos vivos é formidável. Cada interação dos dois nos envolve de forma fabulosa, seja compartilhando do receio de um ataque iminente por parte do felino gigante ou mesmo quando juntos tem de enfrentar as tormentas de um mar bravio. Companheiros ou rivais na sobrevivência? Essa dupla duvidosa de navegantes tem que aprender juntos a respeitar o espaço um do outro por um bem-comum. E o espetáculo e a perfeição com que o lindo tigre nos é mostrado na tela é cativante.

Se no fim Pi, agora já adulto que conta sua história a um escritor, nos apresenta com duas versões dos fatos - ainda que o filme apenas desenvolva uma - a confusão já não é mais somente de Pi, mas do espectador que deve escolher entre a fantasia e o real, entre as suas próprias convicções e o limite da sua crença.E o desafio é lançado logo no início quando Pi diz ao escritor: "vou lhe contar uma história que te fará acreditar em Deus".

Não significa, de forma alguma que o espectador se aliará às conclusões a que Pi e o escritor chegam; podem, na realidade, ser absolutamente contrárias, e é exatamente aí que residem a força e a importância desse filme. A Vida de Pi questiona e sugere, toma uma posição, mas o fundamental é que ele deixa terreno vazio para o caminho que cada um quiser construir.


Acredito que Ang Lee com essa adaptação, tem em suas mãos o filme mais significante da sua carreira. O empenho do diretor taiwanês em gerar reflexão é perceptível na forma como agarra com sentido cada imagem e como transforma simples cenários de um barquinho sobre a água em quadros que remetem para o subliminar e para o espiritualismo.

O livro homônimo de Yann Martel que deu origem ao filme era considerado impossível de filmar, mas Ang Lee, tal como Pi na história, contorna o impossível e chega a um porto seguro.

Alison
twitter: @menino_magro



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